
Despertou, estava tonto, desorientado, pegou uma roupa vestiu e saiu.
Na rua olhava para os carros e via dragões que tentavam lhe devorar. Os prédios pareciam gigantes que tentavam lhe esmagar. Sua cabeça girava, seus olhos pareciam querer saltar das orbitas. Balançava, mas não caia, os postes ajudavam a se segurar. O coração acelerava, os pulmões pouco respiravam e os delírios pioravam.
Alguns queriam ajudar, mas recusava, sabia que ninguém podia fazer nada. Lembrou da festa, do seu amigo dizendo para ele provar, que era bom e iria gostar. Aceitou, viu todos os outros usando, queria ser como eles, um descolado, um dos caras legias da turma. Os comprimidos azuis brilhavam diante dos seus olhos, pegou, jogou na boca, misturou com cerveja e engoliu sem pensar.
Agora estava mal, se sentindo sujo, errado, arrependido do que fizera noite passada. Mas já era tarde demais, se escorrou em uma parede, via os carros passando na rua, as pessoas cruzando com ele e olhando com desprezo. Fechou os olhos para descansar, o coração já não batia mais, os pulmões não respiravam o ar poluido e os olhos, esses não se abririam denovo.